terça-feira, 27 de março de 2012

ANSIEDADE, O ABATIMENTO DO CORAÇÃO





A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra (Pv 12.25).
A ansiedade é o mal do século, a doença mais democrática da nossa geração. Atinge crianças e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus. No grego, a palavra ansiedade significa "estrangulamento". A ansiedade sufoca e tira o oxigénio. Ela não nos ajuda a resolver os problemas hoje, apenas nos enfraquece para enfrentá-los amanhã. Ansiedade é ocupar-se de um problema que ainda não existe, e 70% dos assuntos que nos deixam ansiosos nunca acontecerão. A ansiedade é inútil, já que, por mais ansiosos que estejamos, não poderemos acrescentar um único dia à nossa vida. A ansiedade é prejudicial porque drena as nossas energias, rouba nossas forças e superdimensiona nossas crises. É sinal evidente de incredulidade, porque só aqueles que não confiam na providência de Deus vivem ansiosos quanto a seu futuro. A ansiedade abate o espírito tio homem, mas a boa palavra o alegra. Devemos alimentar nossa alma com as palavras que emanam da boca de Deus, em vez de abastecer nosso coração com o alarido da ansiedade. Devemos olhar não para o fragor da tempestade, mas para aquele que está no controle da tempestade para nos trazer bonança.

"QUEM NÃO ESCUTA CONSELHO ESCUTA 'COITADO'"



O que desprega a palavra a ela se apenhora, mas o que teme o mandamento será galardoado (Pv 13,13).
Há um ditado que diz: "Quem não escuta conselho escuta 'coitado'". Quem zomba da instrução pagará por ela e pagará caro. Quem despreza conselhos traz sobre si destruição, pois é na multidão de conselhos que está a sabedoria. Quem não aprende com amor em casa talvez aprenda com dor na rua. Quem não escuta a voz da sabedoria receberá a chibata da disciplina. Quem não abre os ouvidos para escutar conselhos oferece as costas para o chicote do juízo. A obediência é o caminho da bem-aventurança. Traz doçura para a alma, descanso para o coração e sucesso para a vida. Somos livres quando seguimos, e não quando transgredimos os mandamentos. Somos livres para dirigir nosso carro quando obedecemos às leis cie trânsito. Somos livres como cidadãos quando cumprimos os preceitos da lei. Um trem é livre para transportar em segurança os passageiros quando corre sobre os trilhos. Assim, lambem, somos livres para viver uma vida feliz e vitoriosa quando cumprimos os mandamentos. Os que guardam os mandamentos serão galardoados.

Dispense a disciplina e enfraqueça a Igreja.

Embora os Metodistas atraíssem grandes multidões, sua sobrevivência dependia da disciplina de pequenos grupos.
Quando o movimento metodista começou a crescer, John Wesley enfrentou o problema de lidar com convertidos que voltavam aos seus antigos hábitos.
Muitos vinham de classes sociais mais baixas, não tendo, assim, nada que os ajudasse a viver “sóbrias, tranquilas e abençoadas vidas”, como Wesley prescrevia.
A apostasia do membro (abandono da Palavra de Deus, da fé em Deus) desencorajava aqueles que estavam tentando seguir a Cristo e também dava munição aos detratores do metodismo.

A solução para esse problema veio de uma forma inesperada. Os metodistas tinham contraído uma dívida para construir uma casa de pregações. Em um esforço para pagá-la, os líderes, voluntariamente, visitavam cada metodista para recolher um pennie, todas as semanas.
Perceberam que seria mais fácil as pessoas irem até os líderes, surgindo, então, as reuniões de classes, que além de recolherem os pennies, assumiram caráter mais pastoral do que financeiro.
Os líderes recolhiam os pennies, instruíam os membros e checavam o seu progresso espiritual.
Wesley convenceu-se que esta prática não poderia prosperar sem disciplina. O Metodismo prosperou com a disciplina cristã, alcançando um milhão de pessoas antes da morte de Wesley. A disciplina cristã funcionava por meio de quatro grandes estratégias: 1) ele a pregava; 2) ele ensinava seus líderes leigos a administrá-la amorosamente; 3) organizou as pessoas em grupos pequenos, nos quais elas podiam cuidar umas das outras; 4) ele propagava os benefícios da obediência ao Senhor.
Wesley frequentemente pregava um sermão sobre Mateus 18, a passagem na qual Jesus descreveu os passos a serem dados quando da descoberta de pecado em um irmão. Ele disse que a advertência, para começar o processo de disciplina cristã, não era uma sugestão, mas um “comando direto de Deus”. “Este é o caminho, entrem por ele!”.
Ensinando sobre l Co 5, quando Paulo fala à congregação para lançar fora o homem imoral, Wesley comentou que a congregação tinha a responsabilidade de libertar a si mesma do homem impenitente, porque “um pecado, ou um pecador ... difunde culpa e infecção por toda a congregação.”

Lembrou a seus seguidores que a Igreja Primitiva praticava a disciplina. Dizia que era um dito comum entre os cristãos das Igrejas Primitivas: “a alma e o corpo fazem o homem, o espírito e a disciplina fazem um cristão”. Sem a ajuda da disciplina cristã ninguém pode ser realmente um Cristão.
A Igreja precisa de disciplina, pois sem ela não pode haver um verdadeiro cristianismo. “Onde quer que a disciplina não faça parte da doutrina, ela não tem pleno efeito sobre os ouvintes”.
Wesley vivia uma vida disciplinada e conclamava outros metodistas a viverem segundo o mesmo padrão. Pregava o Metodismo para os camponeses céticos. Mantê-los na linha e comportados era muito difícil e dependia dos líderes das classes para manter a ordem nos intervalos de suas visitas.
Durante uma de suas visitas a Bristol, ele excomungou quase 20% da sociedade, por pecados como bebedeira, práticas desonestas nos negócios, fofoca, roubo, discussões em público e trapaça no pagamento dos impostos e taxas.
Mais tarde, quando ele encontrou um grupo inteiro de metodistas cujo comportamento estava abaixo dos padrões, ele disse a eles, em termos diretos e claros, que eram os “mais ignorantes, soberbos, autoconfiantes, inconstantes, intratáveis, desunidos metodistas que eu conheci em três reinos”. Evidentemente, o grupo ouviu bem, pois Wesley relatou que “muitos foram tocados e nem um ficou ofendido”.
Tudo o que ele aprendia por meio da sua experiência na administração da disciplina, ele passava para sermões como “O dever de repreender nosso vizinho e A cura das más línguas”.
A chave para o sucesso em um caso de aplicação da disciplina cristã para Wesley, era o espírito daquele que expunha o pecado.
Como se dependia muito de um espírito correto, aquele que fosse repreender deveria primeiro pedir que o Senhor “guardasse seu coração, iluminasse sua mente e dirigisse sua língua”. O servo do Senhor deve “evitar qualquer coisa no olhar, no gesto, na palavra e no tom de voz que pudesse demonstrar orgulho ou autossuficiência”. Acima de tudo, o amor deve ser o motivo para a disciplina. Citando um hino de seu irmão, Wesley disse:.

O amor pode dobrar o pescoço que não se curva,
Tornar em carne o coração de pedra;
Amaciar, derreter, quebrar e perfurar um coração rígido.

Algumas vezes, essa abordagem gentil era bem sucedida, mas, em outras, como Wesley notou, a reprovação “terna e moderada” não tinha efeito. Em tais casos, um ou dois precisariam ir junto com aquele que já havia ido, primeiro expressando o seu amor pelo irmão errante, então apresentando os fatos de seu pecado e, finalmente, exortando-o a se arrepender.
Caso essa segunda tentativa falhasse, ele aconselhava os cristãos a levarem o assunto à Igreja. Tornava-se responsabilidade do ministro repreender o pecador e, se necessário, colocá-lo para fora da comunidade.
Wesley dizia a seus ouvintes que o problema estava, então, fora de suas mãos, “tendo vocês, feito tudo, conforme a Palavra de Deus, ou a Lei do Amor, vocês estão isentos; vocês não são cúmplices do seu pecado [do pecador], e, se ele perecer, o seu sangue pesará sobre sua própria cabeça”.
A ênfase na disciplina com ternura não evitou que, por vezes, Wesley ficasse cego. Quando seu braço direito, Thomas Maxfield, começou a se autoproclamar imune ao pecado e que ninguém poderia ensiná-lo mais coisa alguma, Wesley escreveu uma carta afirmando o que apreciava e o que desaprovava no ministério de Maxfield:
“Sem prefácio ou cerimônia, que são desnecessários entre nós, eu vou simples e diretamente dizer a você o que eu desaprovo em sua doutrina, espírito ou comportamento público”...
“Quanto ao seu espírito, eu apreciava sua confiança em Deus e o seu zelo pela salvação das almas. Mas, eu desaprovo algo que tem a aparência do orgulho, de uma super autoavaliação e subestimação dos outros, particularmente os outros pregadores”.
Wesley esperava que os outros ministros fossem tão claros e diretos quanto ele, com qualquer pessoa, da mesma forma que ele agia com eles: “diga a qualquer um o que você pensa o que está errado nele, tão direta e brevemente quanto possível, então isso vai chegar ao seu coração. Faça todo o possível para expulsar o fogo do coração de seu amigo”.
Confessando uns aos outros
Wesley tinha condições de praticar o que pregava sobre disciplina cristã porque ele tinha organizado os seus seguidores em pequenos grupos. Uma sociedade metodista incluía todos os metodistas de uma área. Ela era dividida em grupos, ou classes, de 12 pessoas. As pessoas se reuniam semanalmente para estudar a Bíblia, orar e testemunhar sobre o estado de suas almas.
Cada classe tinha um líder, que se reportava ao pregador encarregado da sociedade. Wesley publicou uma lista de questões para os líderes das classes ajudarem os membros a se autoexaminarem:
1 – Quais dos pecados conhecidos você cometeu desde a nossa última reunião?
2 – Quais tentações você superou?
3 – Como Deus falou com você? 4 – Você teve algum pensamento, palavra ou ato que possa ser pecaminoso?
Quando as respostas revelavam pecados, os infratores tinham uma outra chance. “Se eles abandonassem os seus pecados”, Wesley dizia, “nós os receberemos com alegria; se eles obstinadamente persistirem no pecado, fica claro que eles não são como um de nós. Os outros devem, então, lamentar e orar por eles, e se regozijarem, porque até onde vai nosso ponto de vista, o escândalo terá sido afastado para longe da sociedade”.
Como os líderes conheciam cada membro das classes intimamente, eles podiam adaptar as suas palavras para a necessidade individual de cada um. As reuniões frequentes significavam que as atitudes erradas podiam ser
interrompidas antes de se transformarem em atos pecaminosos. Nesse contexto de contato constante, pessoal e amoroso, a disciplina cristã era uma força redentora muito forte.

“Faça o certo e nada temas”
Embora a disciplina cristã tenha rendido resultados tão positivos, os líderes metodistas nem sempre ansiavam por exercê-la. Ao longo de sua carreira, Wesley teve que admoestar seus representantes a examinarem as sociedades e a expelirem os que desobedeciam as regras.
Nessa linha, ele escreveu para Adam Clarke: “seja exato em cada ponto da disciplina”. Para Francis Asbury, ele defendeu “uma estrita atenção à disciplina”.
Para William Holmes, quem chegou temer perder a sua congregação, ele mandou a ordem “faça o certo e nada temas. Exclua cada pessoa que não prometa se reunir com uma classe, os líderes, em particular. Eu requeiro que você faça isso. Você não tem escolha. Deixe as consequências para Deus”.
Wesley sabia que a disciplina cristã poderia trazer divisão às comunidades. Ele, contudo, ordenou que um de seus assistentes removesse um líder faltoso: “Eu solicito que você o coloque fora da nossa sociedade. Se 20 da classe dele também resolvam deixar a sociedade, assim seja. A primeira perda é melhor. Melhor que se percam 40 membros a perder-se a nossa disciplina”.
No final de seu ministério, Wesley preocupava-se em fazer com que a disciplina cristã permanecesse forte, porque ele sabia que, sem acompanhamento, todo o seu trabalho seria perdido. Uma viagem ao país de Gales, em 1763, fez com que ele fizesse o seguinte alerta para as futuras gerações de metodistas:
“Eu estou mais convencido do que nunca de que pregar como um Apóstolo, sem reunir aqueles que são despertados e treiná-los nos caminhos de Deus, é como conduzir crianças para serem assassinadas. Quanta pregação foi feita, por mais de 20 anos, em toda a Pembrokeshire? Mas não foram criadas sociedades regulares, não houve disciplina, ordem ou conexão; e a consequência é de que nove entre dez daqueles que um dia foram despertados estão agora mais adormecidos do que nunca!


Charles Edward White

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

FE EM CIMA DO MURO

“Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: Se os deuses a quem serviam nossos pais que estavam dalém do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Js. 24:15


Fé caracteriza-se por uma profunda experiência pessoal com Deus. É dentro desta perspectiva que devemos ler o capítulo 11 de Hebreus. Cada personagem ali relacionada teve a sua experiência de fé – experiência pessoal e única. Ainda que essas experiências sejam semelhantes, não são iguais. O que caracteriza a verdadeira experiência de fé é uma posição firme e inegociável. “Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança”. (Hb. 11:8)


Abraão não sabia para onde ir, bastava saber que ia com Deus. Não era tanto nas promessas que ele se apoiava, mas n’Aquele que fizera a promessa. Não olhava para as dificuldades do que estava à sua frente, mas para o Rei, eterno, imutável, o único Deus sábio, que havia assumido o compromisso de dirigir o seu caminho e que, por certo, honraria o seu próprio nome.


Mas a mídia criou um novo tipo de fé: A FÉ EM CIMA DO MURO. A fé por conveniência, que aparece empacotada em embalagem de marketing como os lanches do McDonald’s. Essa fé não serve porque não dura e nem alimenta a nossa vida cristã. Essa fé só vale pelo exterior, pelo que se fala dela: Essa fé que não resiste a prova do fogo.


A fé em cima do muro é identificável por quatro sinais: primeiro, é a fé sem compromisso. Ela não se ajusta a estas palavras de Jesus: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me”; segundo, é a fé sem teologia, caracterizada pelo misticismo sem precedente na História da igreja hoje; terceiro, é a fé oportunista que entra na onda do modismo e quarto, é a fé demagógica e politiqueira, encaixada nas siglas partidárias.


A fé preconizada na Bíblia leva as marcas de Cristo, tais como sacrifício, renúncia, mansidão, humildade, esperança, misericórdia e amor. Prosperidade, saúde perfeita, vida tranquila não são provas de uma vida de fé. O salmista, vendo a prosperidade dos ímpios, escreveu: “Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações. O seu corpo é sadio e nédio”. (Sal 73. 3 e  4). Jesus disse: “Neste mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”, e  “cuidado para que ninguém vos engane”. (Jo. 16:33 e Mt. 24.4)


 

Pr. João Arantes Costa